Neste momento especial para a criança tem de tudo:
diversão, estímulo ao desenvolvimento, criatividade e até
autoconhecimento. Veja aqui como enriquecer ainda mais esse momento
O
lápis fica no meio da pequena mãozinha, procurando o equilíbrio. A
ponta encosta o papel e - meio reto, meio torto - o risco sai. O autor
esboça um sorriso, olha para o adulto, procura cumplicidade no grande
feito. Imaginem a emoção que vive a criança em seus primeiros traços. O
que você precisa saber para este momento artístico comum a todas as
crianças ser ainda melhor.
1 - Expressão e emoção.
A criança tem uma intensa elaboração mental enquanto desenha. É comum,
enquanto o lápis risca o papel, ouvir as crianças narrando histórias que
se passam com os personagens que traçam. É como o que acontece no
brincar.
2 - Fases e estilos.
Por mais que, no geral, a criança comece pelos rabiscos por prazer e vá
mudando o traço até chegar a formas mais "reais", essas fases não são
fixas. Ao longo da infância, as crianças podem ir e voltar várias vezes
em determinados estilos, fazer um desenho característico de uma fase
pela manhã e, à tarde, esboçar um desenho próprio de outra. E é por isso
que não é adequado classificarmos os desenhos como "bom" ou "ruim". O
desenvolvimento da criança por meio do desenho não tem uma
característica linear.
3 - Diferentes materiais.
Procure oferecer diferentes suportes e riscadores para seu filho.
Papéis de diferentes texturas, cores e tamanhos, como lixa, papelão,
papel canson, papel vegetal... Quanto maior a variedade, melhor. Entre
os riscadores, varie os tipos de lápis, giz de cera e canetas. Cada
material vai proporcionar um desenho diferente e, quanto maior a
variedade, maiores as experiências das crianças.
4 - Espaço para desenhar.
Tenha em casa um cantinho onde seu filho possa desenhar, vale até ser
no chão, caso ele prefira. Um caderno de desenho e um estojo com lápis
apontados, gizes de cera e canetinhas devem sempre estar à mão. Se forem
pincéis, tintas ou canetinhas, forre um pedaço do chão e deixe a
criança à vontade.
5 - Um mundo novo. Desenhar
é um reflexo do descobrir. Além de abrir um enorme leque para a
expressão e a fantasia, o desenho também contribui para a exploração do
real, já que chama a atenção para os seres e objetos e desperta a
atenção para formas, texturas, tamanho, cores, volumes e proporções.
6 - Observar e lembrar. É
comum as crianças desenharem de acordo com a lembrança que têm dos
objetos - e não os observando. Procure ajudar seu filho a despertar para
o olhar. Use o cotidiano. Chame a atenção dele para uma janela grande,
para as cores da água do mar, até para o desenho no chão com as gotas de
água saídas de um regador, por exemplo. Descubram juntos texturas,
formatos de folhas e de nuvens...
7 - Pais não são os 'grandes modelos'. Resista ao desejo de mostrar como desenhar. Apesar de desenhar em família ser ótimo, cada um deve ter seu espaço e seu traço.
8 - Crie referências.
Visite museus, galeria de artes e onde tiver exposições que possam ser
boas referências de arte para a criança, converse sobre o que for visto,
o estilo do artista, compare. Livros infantis são também excelente
estímulo - talvez o primeiro contato deles com uma obra de arte!
9 - Use fotografias.
Para o francês Henri-Cartier Bresson, a maior referência em fotografia
no mundo, a foto é um meio de desenhar. Fotografias podem render ótimos
exercícios. Em uma exposição, por exemplo, converse com a criança sobre
as formas, como pessoas diferem de objetos, os ângulos. Outra atividade
bacana é colocar uma folha de papel vegetal por cima de uma foto e, com
um lápis, permitir que ela descubra as linhas principais e, quem sabe, a
poesia que há nas grandes fotografias de todos os tempos (na internet
há milhares de exemplos como sites de grandes fotógrafos ou temáticos).
10 - Não serve como avaliação psicológica. Muita
cautela para usar o desenho como uma avaliação de aspectos intelectuais
ou emocionais da criança. Chega a ser perigoso dizer, por exemplo, que
cores escuras no desenho denunciam crianças deprimidas, por exemplo.
Apenas em consultórios de psicólogos, em meio a várias outras
ferramentas, eles podem ser usados para avaliação dentro de um contexto
mais amplo.
Fontes: Laïs Krücken
Pereira, especialista em psicologia de desenvolvimento humano, Ana
Paula Martinho, coordenadora da área de artes da escola Estilo de
Aprender (SP), psicóloga Mônica Cintrão, Kika Almeida Mendes, tutora de
Artes da Educação Infantil da Escola Viva